O problema mais sério agora não é Yoani
É
impressionante como hoje em dia militantes extremistas ainda defendem os ideais
autoritários cubanos como se seus governantes ainda tivessem a mesma ideologia
que tinham quando tomaram Cuba do domínio americano. É certo que Cuba alcançou
patamares na educação, por exemplo, que o Brasil está longe de chegar como o
nível de analfabetismo em 0,2% e o sistema público de saúde considerado um dos
mais eficazes do mundo, no entanto vemos o custo pago pela sociedade cubana
para viver, sim viver sem voz e abaixo da linha da pobreza tendo uma cota para
comprar, sobretudo, alimentos e se quiserem não passar fome têm que apelar para
o mercado ilegal.
Aquele mesmo
problema enfrentado por essa sociedade que via diferença no tratamento e nas regalias
oferecidas com estabelecimentos destinados a receber turistas e a classe mais
abastada e os destinados a atender cubanos, como acontecia no regime
pré-revolução pode ser visto ainda hoje. Não há respeito pela opinião,
liberdade de expressão é coisa de oposicionistas, talvez nem precise dizer que
jornalistas assim como o curso de jornalismo são desvalorizados. Será que esses
mesmos militantes que aqui estão hostilizando Yoane Sànchez a chamando de traidora
e algumas coisinhas mais teriam esse mesmo direito, o de se expressar, caso se
mudassem para a sua tão amada Cuba ou ainda será que conseguiriam viver sob o domínio
repressor do governo que defendem com tanta voracidade? É possível que só
sobrevivessem se fizessem parte da cúpula governamental, a mesma que transfere
cargos de poder e confiança para membros da mesma família. Seria o poder
hereditário ou o mesmo nepotismo que bem conhecemos aqui no Brasil?
Enquanto Yoane
se sente privilegiada em ter a oportunidade de dizer alguma coisa sem com isso
ser perseguida em nosso país, aqui temos a oportunidade de nos expressar,
reclamar, opinar para mudar situações, e mesmo assim não o fazemos, preferimos
dizer que não adianta nada e nos acomodar deixando a cargo de governantes a
decisão de melhorar ou não os problemas de nossa sociedade enquanto vemos
pessoas morrendo de fome e cheirando cola nas ruas, morrendo nos sistema
público e privado de saúde, nas ruas e em casa assaltados, sequestrados,
desrespeitados enquanto políticos aumentam seus próprios salários a 62% (ou
mais) e o povo rebola para multiplicar o microssalário aumentado em 7% e tem
que render para sustentar famílias de 3 a 7 pessoas.
Essa mulher
luta para ter o direito de falar, opinar, se opor ao que ela acha injusto, não se
posicionar contra uma ideologia, mas uma realidade. O fato é que a mesma ideia
motivacional para o movimento revolucionário contra um capitalismo opressor e oportunista
enfrentado por Fidel, Raul e Che Guevara quando se uniram a um exército não é
mais a mesma ou podemos dizer que já desapareceu.
A frase
exaustivamente divulgada na imprensa dita por Yoane que diz: “Isso me deixou
apaixonada – a liberdade que o povo transpira, a possibilidade de dizer sim ou
não, contra ou a favor. Acredito que é um sentimento que vou levar para minha
ilha.” Traduz para nós brasileiros que mesmo os adeptos do Fidelismo tentando
fazer o já fazem com ela em seu país ela não vê como manifestações passíveis de
rejeição, mas de um direito garantido por lei e um privilégio que ela almeja
para o seu povo. Ela ainda se maravilha com os manifestantes gritando lá fora a
chamando de Yanke dizendo: “Foi um banho de democracia e pluralidade, estou
muito feliz e queria que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas
diferentes com essa liberdade.”
Manisfestações
de indignação são positivas, mostram que no Brasil há forma de mobilizar e
mudar a sociedade e nossos problemas colocando o povo na rua, não influenciados
por uma emissora de tevê, mas por vontade própria. Então porque será que até
hoje não vimos essa mesma mobilização para tirar corruptos de seus lugares
tidos como perpétuos ou pressionar aqueles a quem demos o poder para diminuir a
pobreza, o descaso com as pessoas madrugando e morrendo em hospitais que mais
parecem açougues, entre outras tantas coisas absurdas e desumanas que
presenciamos todos os dias e fingimos não ver até que passamos pelo mesmo
sofrimento? Virou moda apedrejar aqueles que não aceitam aquilo que é visto
pelo outros como normal? São algumas das questões que a sociedade democrática
do Brasil se nega a tentar responder.
Por
Denize Santos

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